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O Zarolho

09 janeiro 2008

Quero cortar o cabelo mas não quero o cabelo cortado

De vez em quando junto-me com a malta e temos conversas que me deixam a pensar. Nem sei como veio o tema à baila mas houve um que se virou com esta:
“Dou graças a Deus que o meu Pai não tenha vivido o tempo suficiente para me ver a ir cortar o cabelo num Cabeleireiro.”

Imediatamente pensei na vida que levava...e no meu Pai. Ele corta o pouco cabelo que tem, em casa e o estilo é daqueles assim clássicos, vulgo rapado. Simples e à homem! Já eu, nasci com uma deficiência genética. Sempre tive cabelo e pelos vistos não herdei a parte máscula dos genes paternos. Desde pequeno que aceitei este peso em cima de mim. Decidi pois usar cabelo e num estilo a que o meu Pai chama de “à maricas”.

Mas nem sempre foi assim. Houve alturas em que chegava a casa vindo do Barbearia do Senhor Zé, cabisbaixo, com frio nas minhas orelhas nada aerodinâmicas e proporcionadas (acho que esta é uma maneira simpática de descrever orelhas de abano, outra das minhas heranças) e recebia uma daquelas festas na cabeça e um comentário do género “Assim sim, já pareces um homenzinho!” Ficava todo orgulhoso.
Sim, eu dantes frequentava o Barbeiro! Ainda existe. O Senhor Zé já só está por lá sentado a ver o mainovo seguir a sua arte. Mas ainda veste a bata! O que faz dele praticamente um doutor! Nada como aqueles “artistas” que vão de sandálias e não sabem sequer quem vai à frente no campeonato. O método de corte é o mesmo, desenvolvido ao longo de anos. Umas borrifadelas com água, que lavar é coisa de fanchono e lá começa o corte. Para um Barbeiro a arte do corte é algo complicadamente simples. Três perguntas básicas: “Como vai ser, curto? E o risco é para que lado? Quer deixar as suíças? No final, os golpes de navalha do costume e aquele ardor no pescoço que até levanta da cadeira um morto. Eles sabem usar a navalha como ninguém mas é o modo dos Barbeiros dizerem “próximo...”. Disse que ser barbeiro é quase como um doutor e é verdade! Afinal de contas o que arde cura!

Mas isto era outros tempos... há muito que não corto o cabelo. Agora frequento um Atelier de Cabelos e lá, eles estilizam cabelos. E ainda anteontem fui estilizar o meu. Acho que posso intitular-me de um Homem Moderno. O meu cabelo agora passa por diferentes etapas. Primeiro passa por conseguir uma marcação (os estilistas têm uma secretária à porta, agenda, filo fax e cortar o cabelo é como uma reunião). Dizia eu, o meu cabelo hoje em dia é lavado por uma senhora com champô duas vezes, uma vez com amaciador e é massajado o couro cabeludo ao som de Pan Pipes. Deve acalmar os remoinhos que tenho no cabelo. A seguir mudo de sala e de artista e vem o mais difícil – explicar que se quer o cabelo cortado. Não é simples e fico sempre com a sensação de que, por não saber os termos correctos usados nos salões pelos profissionais, sou olhado de cima para baixo. Ou talvez seja só por estar sentado, não sei. É complicado e o resto do tempo passo-o a suar sem saber se perceberam que o que eu quero é o cabelo cortado e não outra coisa com um nome estrangeiro. Por falar nisso confunde-me quando ouço perguntarem às senhoras se querem um brushing. Será que também fazem brushings a homens? E como eu adoraria ouvir alguém pedir por isso no Seu Zé....

Se leres isto, Pai, desculpa-me por frequentar Cabeleireiros mas ao menos que te conforte isto. Tal como tu, continuo a não usar gel.

posted by Dimitri Apalpamos @ 3:29 da tarde,